“Vários olharam para mim e deram sua sentença: “ela é fraca, com certeza. Não é o tipo
de garota que vai se tornar popular, tão estranha que nem deve ter amigos.”
Eu fingia não ouvir, mas aquelas palavras esfolavam minha autoconfiança. Fingia ser um muro de concreto, quando
lá dentro sempre fui mais mole que gelatina. E tanta pressão
foi estressante. Vocês sabem, aguentar tanta carga por pouco tempo me
enfraqueceu. Minha bateria ficou fraca, a pilha parou de funcionar. Eu pensei
em ceder a todas as ofensas. Desabar perante as humilhações.Pensei, apenas. Porque havia bem lá no fundo uma
pequena chama esperançosa me convidando a lutar. E veio em boa
hora. Eu sorri, eu parei, eu lutei e resolvi dar replay naquela fita. Sabia que
não adiantava tentar consertar o passado, porém, trazer aquelas lembranças de
volta transformou minha vida. De garota covarde, virei minha própria heroína.
Construí uma armadura imaginária, me tornando a Mulher de Ferro. Logo após,
peguei o escudo do Capitão América e o martelo de Thor. Para completar, passei
a ser o Hulk nas horas vagas. Não exatamente um monstro verde, apenas uma nova
mulher que de jovem recatada poderia se transformar numa fera em questão de
segundos. Então, juntei minha sabedoria, minha consciência e outros artifícios
da minha mente para lutar. As
Vingadoras. Eu não saí pelas ruas atacando meus inimigos. Pelo
contrário, fiquei lá… Imóvel, esperando eles chegarem até mim. E naquela vez,
com o amadurecimento que obtive, venci a guerra.Finalmente, os que tanto queriam o meu mal perderam.
Sim, perderam pra mim, o tipo de pessoa que ninguém apostava. Toda a
fragilidade que eu contenho agora só aparece quando sabe que não há perigo por
perto. Nos momentos de tensão, ela dá um jeito de se esconder. A força e a
decisão tomam conta do pedaço. Nunca mais precisarei fugir, com medo dos meus
oponentes. Durante cada batalha eu me lembro do poder que carrego
interiormente. De como passei por tantas provações e continuo viva. Mesmo
quando eu caio no chão enquanto estou lutando, não penso em entregar os pontos.
Não depois da promessa que fiz para mim mesma: seguir em frente, apesar de todas as
circunstâncias. Eu
mudei, ainda bem. Hoje, quando choro não me sinto fraca. Considero
lágrimas como um desabafo. Sabe como é: quando a dor é grande, ela escapa pelos olhos.
E no meu caso, depois que escapar encontrarei uma forma de sorrir. Não
interessa se esse sorriso vai ser falso, uma hora terá que surgir naturalmente.
Após colecionar uma mala enorme de decepções, resolvi jogar todo aquele
conteúdo fora, ansiosa por um recomeço. Eu entendo que esquecer é difícil.
Entretanto, guardar mágoa é pior. Passar o resto dos meus dias ressentida,
amargurada com o que não deu certo no passado é uma coisa que não quero pra
mim. Descarto isso facilmente, na boa. Desejo lembrar mais daquilo que me
encantou, que me trouxe realizações. Aquela história de que momentos perversos são mais fáceis
de guardar na mente não pode e não deve funcionar mais comigo.
Rejeito isso. Aceito em minha vida vitórias. Ganhos, nada de perdas. Sucesso,
sem derrota. É o que mereço, ainda que eu tenha milhares de defeitos. É o que
busco, ignorando ou ultrapassando os obstáculos que se colocarem a minha
frente. E pode crer, já comecei a correr atrás da felicidade faz tempo. Vontade
de desistir dela eu nunca tive e nunca terei.”
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